As dez melhores citações sobre viagens

Este é um post diferente dos que aqui venho mostrando (eles têm sido todos diferentes... mas este é mais!...). De uma revista Volta ao Mundo copiei 10, das que a mesma considera serem as 14 melhores (a escolha é minha), citações sobre viagens. Aqui vão:

O mundo é um livro e as pessoas que não viajam só leram uma página.
Santo Agostinho

Viajar só tem vantagens: Se formos para países melhores, podemos aprender a melhorar o nosso. Se pararmos em países piores, podemos passar a apreciar o nosso.
Samuel Johnson

Um viajante sábio nunca despreza o seu próprio país.
Carlo Goldoni

Viajar é descobrir que todas as pessoas estavam erradas em relação aos outros países.
Aldous Huxley

O destino nunca é um lugar mas uma nova forma de passarmos a ver as coisas.
Henry Miller

Nunca siga o caminho mais percorrido. Escolha sempre o destino menos transitado e deixe o seu rasto.
Ralph Waldo Emerson

Na maioria dos casos, mais do que expandir a mente, viajar prolonga a conversa.
Elizabeth Drew

A melhor maneira de sabermos se gostamos ou não de determinada pessoa é viajar com ela.
Mark Twain

Os turistas nunca sabem onde estiveram. Os viajantes nunca sabem onde irão parar.
Paul Theroux

Daqui a 20 anos, todos estaremos mais desiludidos pelas coisas que não fizemos do que por aquelas que decidimos fazer.
Mark Twain

Palace Hotel do Bussaco

No coração da majestosa Mata do Bussaco (vê-se em muitos sítios Buçaco! qual será a grafia certa?) situa-se o fantástico Palace Hotel do Bussaco. Por mais adjectivos que possa usar não serão os suficientes para definir esta construção! O Palace Hotel do Bussaco é "somente" um dos mais belos, impressionantes e históricos hotéis do mundo!
O edifício é imponente mas harmonioso, nele se "sentindo a mão" de nomes sonantes da arquitectura da época: Luigi Manini (cenógrafo do Real Teatro de São Carlos e arquitecto do Palácio da Regaleira), Nicola Bigaglia, Manuel Norte Júnior (sumidade da Arte Nova em Portugal) e José Alexandre Soares.
A rodear este conjunto arquitectónico está um bonito jardim e 105 hectares de floresta murada - “ex-libris” botânico de Portugal - plantada pelos monges Carmelitas no início do século XVII, com espécies vegetais de todo o mundo. Para além de abetos, sequóias, castanheiros, tílias e gigantescos eucaliptos, não pode deixar de referir-se os fetos e o mundialmente conhecido cedro do Bussaco.
Pensa-se que foi o rei D. Fernando II que o terá mandado construir para servir de pavilhão de caça e para acolher a família real nos seus retiros estivais. Este monarca, grande impulsionador do neomanuelino em Portugal, foi o responsável pela construção do Palácio da Pena, em Sintra e, segundo os especialistas, os dois edifícios têm em comum numerosos detalhes: desde logo serem neomanuelinos, haver em ambos muitas referências aos Descobrimentos, terem influências orientais e haver uma comunhão perfeita entre as construções e a natureza que os envolve. Acontece, no entanto, que as obras no Bussaco se iniciaram só em 1888 (terminaram em 1907) e D. Fernando II morreu em 1885, pelo que a ideia da sua construção não lhe chegou a ser atribuída. D. Carlos chegou a ocupá-lo por várias vezes ainda durante a construção sendo, em 1909, transformado em Hotel mas com uma ala reservada para a família real. A partir de 1917, e até aos nossas dias, a gestão do hotel tem pertencido a sucessivas gerações da família Alexandre de Almeida.
Muitas personalidades nacionais e estrangeiras já aqui dormiram, desde reis, rainhas, príncipes, princesas, escritores (é conhecido o quarto nº 7 por ter sido ocupado por Agatha Christie), actores (um dos últimos foi Mel Guibson) e até Chistine Garnier, que foi apontada como amante de Salazar!

Bussaco

Igrejas de Goa - II (Índia)

Depois de Igrejas de Goa - I (onde mostrei várias igrejas de Goa, fora da Velha Goa) mostro agora as igrejas da Velha Goa.
A Velha Goa (Old Goa actualmente) foi até 1759 a capital do Império Português do Oriente que ia desde a costa oriental de África (Moçambique, Quiloa, Mombaça), passava por Ormuz, Mascate, Golfo Pérsico e chegava até Macau e Timor... A cidade, com uma dimensão semelhante à de Londres ou à de Lisboa de então, chegou a ter 300 mil habitantes! Da Velha Goa actualmente pouco mais resta do que uns monumentos (arco dos Vice-Reis, arco da Porta do Palácio do Xá Adil,...) e um conjunto de Igrejas, Capelas e Conventos considerado como "o maior e mais esplendoroso conjunto arquitectonico de igrejas que Portugal construiu". O que a seguir mostro foi o que sobrou da Velha Goa, "A jóia das Indias", a "Roma do Oriente" como também era chamada.

Igrejas de Goa -II

Valência - II

As fallas de Valência

Chegado o mês de Março, Valência transforma-se para viver as fallas! Em cada ano que passa tudo começa no primeiro dia de Março com as mascletás (exibições pirotécnicas) que ocorrem diariamente pelas 14 horas na Plaza do Ayuntamiento e culmina na noite de 19 para 20 com a cremà (queima). Este é o acontecimento - as Fallas de Valência - considerado nos rankings como uma das melhores festas do mundo e que encaminha para Valência milhares de visitantes cada ano.
No entanto, tudo começou pouco depois do dia 20 de Março do ano anterior!... Os artistas trabalharam durante um ano na criação de grandes grupos escultórios, conhecidos como Ninots (bonecos), onde a sátira social e política e o humor estão sempre presentes. As cores, as formas e os enormes volumes destas verdadeiras obras de escultura - chegam a ter 30 metros de altura- criam, durante uns dias, um autêntico museu na ruas de Valência. Durante estes dias a cidade enche-se de figuras gigantescas (em grande parte dos cruzamentos e praças elas estão presentes) que competem entre si em criatividade e espectacularidade e cujo final será épico: o fogo. Todas irão arder na noite de 19 para 20 de Março, todas menos uma que, por votação popular, se salva das chamas para passar a fazer parte da colecção do Museu Fallero.
A origem das fallas (fogueiras) está ligada aos carpinteiros de Valência que, desde o século XVII, no início da Primavera, costumavam montar anualmente com os desperdícios da sua actividade enormes fogueiras em frente às suas casas celebrando assim o dia do seu padroeiro - S. José. Depois este monte de desperdícios foi evoluindo, sendo enfeitados com panos velhos, dando-lhes assim um aspecto humano para, em meados do século XIX, começarem a melhorar-lhes as formas e aumentar o seu volume e altura, convertendo-as assim em monumentais bonecos decorativos. Actualmente são feitos em diversos materiais facilmente inflamáveis (o aspecto final é idêntico ao dos manequins das montras, mas muito coloridos).
O "grande dia" destas figuras - são à volta de 700(!) - é o dia 15 de Março, é a noite do tradicional plantà de fallas. Nessa noite, à excepção de algumas que por serem mais complexas são iniciadas mais cedo, são montadas as enormes estátuas para que na manhã do dia 16 Valência acorde habitada por caricaturas e representações satíricas que, com grande sentido de humor, criticam políticos, personagens famosos e os acontecimentos mais relevantes da actualidade. Ao lado das "fallas principais" há sempre uma outra, mais pequena, com motivos infantis dedicada às crianças.
Esta é a arte do efémero! No último dia e depois de premiar as melhores Fallas, o fogo e as chamas acabam com tudo. São momentos de tristeza, mas também de alegria... as Fallas já acabaram, no entanto, falta menos um dia para as do próximo ano, e os artistas voltam para o trabalho. Não faltem no próximo ano!
Valencia - II

Moliceiros da Ria de Aveiro

O barco moliceiro ou simplesmente o moliceiro era originalmente utilizado para apanha do moliço (plantas aquáticas que são recolhidas para uso, como adubo, na agricultura) na ria de Aveiro e na região lagunar do rio Vouga. Esta actividade está em vias de desaparecer sendo os moliceiros usados actualmente mais para fins turísticos. O moliceiro é um barco de borda baixa (para facilitar o carregamento do moliço), muito elegante (há quem o considere como o barco regional mais elegante de Portugal) e é um dos ex-libris de Aveiro. Construído em madeira de pinheiro, o moliceiro tem cerca de 15 metros de comprimento, 2,5 metros de largura de boca e navega em pouca altura de água. Na sua propulsão usa uma vela, a vara e a sirga (cabo utilizado para rebocar os barcos nas passagens mais estreitas e/ou junto à margem). A proa e a ré são normalmente decorados com vistosas pinturas, resultando assim quatro quadros por barco, que ora ridicularizam de modo brejeiro situações do dia a dia, ora mostram motivos religiosos e históricos, ora... (vejam as fotos!...). Uma parte das fotos que mostro foram obtidas no "grande canal" em Aveiro e as restantes na Torreira antes da regata Torreira-Aveiro que se realiza anualmente.

Moliceiros

Igrejas de Goa - I (Índia)

Este post é dedicado às igrejas de Goa (Índia). Nele vou mostrar algumas das centenas de igrejas que existem neste antigo território português no Oriente. Li algures que existem em Goa cerca de 600(!) templos católicos, sendo que cerca de 400 têm mais de duzentos anos! Deve ser um dos lugares no mundo com maior densidade de igrejas!... Num outro post - Igrejas de Goa - II - poderão ser vistas as igrejas da Velha Goa (Old Goa). Dada a quantidade e a grandiosidade das suas igrejas Goa foi conhecida como a Roma do Oriente. De notar ainda que, durante o século XVI, a grandiosidade de Goa era tão grande que havia um dito que retratava bem a sua importância: Quem viu Goa, não precisa de ver Lisboa!
Como se pode constatar as igrejas são, dum modo geral, muito ricas. A talha dourada faz lembrar muitas das nossas igrejas. Não fora o calor e por vezes temos a sensação de que estamos no Porto, Braga... onde a tradição da talha dourada é muito grande.
Dado que as fotos que mostro já foram tiradas há cerca de três anos, que a memória e alguns apontamentos que tirei não foram esclarecedores, nem as consultas que fiz a diversas fontes, não pude evitar algumas omissões e, por certo, algumas incorrecções, pelo que agradeço a quem souber que me envie dados que permitam ultrapassar aquelas situações (mais notórias nas últimas fotos do álbum).
Igrejas de Goa - I


Valência - I

Oferenda de flores à Virgem dos Desamparados

Esta oferta de flores à Virgem é um dos acontecimentos marcantes das fallas de Valência. Mais de 30 bairros (em 2008 foram 32) desfilam em cortejo pelas ruas da cidade e dirigem-se à Virgem dos Desamparados. São milhares de falleras e falleros, vestidos a rigor com os seus trajes típicos, que transportam flores para oferecer à Virgem. Cada bairro leva um determinado tipo de flores que irão fazer parte do manto da Virgem. Esta Virgem é uma estrutura de madeira com 14 metros de altura em que o manto vai sendo confeccionado conforme vão chegando as flores. Estes cortejos realizam-se em dois dias consecutivos (têm dois locais de saída diferentes... são portanto 4 cortejos!) das 16 horas às 2 da manhã, sem "intervalos" (!), desfilando em cada dia metade dos bairros participantes. É um desfile lindo, nele participam crianças de todas as idades (é usual fazerem parte do desfile inúmeros bebés, ao colo ou de carrinho), jovens, menos jovens, velhos(as) de espírito jovem... É uma festa para os olhos!

Valência - I

Nampula 1972 - Nampula 2008 (Moçambique)

Este é um post diferente daqueles que aqui vou colocando: tomei uma série de slides tirados em 1972, mandei digitalizá-los e juntei-lhe uma série de fotografias do início deste ano de 2008 (mais duas ou três de 2004), resultando esta "mostra"! A "qualidade" de algumas das fotos não é boa, mas...

Nampula, capital da província com o mesmo nome e conhecida como "a linda" ou como a "capital do norte", é a terceira maior cidade de Moçambique com mais de 300 mil habitantes (há quem indique 350 mil). O seu nome teve origem no de um líder tradicional de nome M'phula ou Whampula ou N'wampuhla (dependendo das fontes...). Tendo sido elevada a cidade em 22 de Agosto de 1956, a sua construção terá tido início por volta de 1907 com a construção do comando militar de Macuana. Os militares tiveram sempre uma grande influência sobre esta cidade, começando pelo Major Neutel de Abreu, continuando com a instalação aqui do Quartel General do Exército Português nos anos 60 e, depois da independência, com a transformação do Quartel General em Academia Militar Samora Machel. Situada num planalto e rodeada de picos rochosos que lhe dão um encanto ímpar, Nampula é o nó de ligação para as províncias nortenhas de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, para isso contribuindo a linha de caminho de ferro que por aqui passa (Nacala - Malawi), as ligações por estrada que aqui se cruzam e o seu aeroporto internacional. A tudo isto acresce o seu clima ameno apesar de influenciado pelas monções, o traçado das suas ruas e a afabilidade da sua população.
Segundo escreve Manuel Ferreira (Lisboa 1946), na biografia de Neutel de Abreu, Nampula (na altura o "simples" posto militar de Macuana) era um "local formosíssimo, a 440 metros de altitude, onde hoje se encontra o quartel das forças militares. Lá longe, alargava-se a beleza extrema da floresta e, ao sul, a recortar-se no espaço, a serra Mihôvo, que se assemelha ao rosto e corpo de um negro. Sobre o verde-escuro das serranias, o céu, no entardecer, tingia-se de escarlate...”

Nampula 1972 - 2008

Regata de barcos rabelo - Porto

Todos os anos, no dia de S. João (24 de Junho), realiza-se no rio Douro uma regata de barcos rabelo. A "prova" começa na foz e a meta é na ribeira, junto à ponte de D. Luiz I. Os barcos pertencem a empresas produtoras de vinho do Porto, que antigamente os usavam (estes ou outros mais antigos) para transportar pipas de vinho desde as quintas no Douro até às caves em Vila Nova de Gaia. Actualmente estes barcos já não são utilizados para o transporte de vinho, vendo-se muitos deles atracados em Gaia "decorando" a margem e fazendo publicidade às diversas marcas. A regata é muito animada e disputada. Milhares de pessoas juntam-se nas margem para ver passar os barcos. O vento nem sempre ajuda... e esta é a única força que empurra os barcos...
(as fotos que mostro são das regatas de 2006 e 2007, podendo por isso parecer que há empresas com dois diferentes rabelos, o que não é verdade... mudaram as velas de um ano para o outro!)
Rabelos

Voortrekker Monument (Rep. da África do Sul)

O Voortrekker Monument é um monumento construido em granito, nos arredores de Pretória. Tem 40 metros de altura e uma base de 40x40 metros. Foi desenhado pelo arquitecto sul-africano Gerard Moerdijk, para simbolizar a coragem, a fé e o espírito indomável e aventureiro dos voortrekkers (pioneiros) que, a partir do Cabo, chegaram ao Transval. Foi inaugurado no dia 16 de Dezembro de 1949, aniversário da batalha de Blood River de 1838, em que se degladiaram os boeres e os zulus.
Três dos quatro cantos do monumento são guardados por heróis da Grande Marcha para o interior do país: Piet Retief, Andries Pretorius e Hendrik Potgieter. Um líder simbólico e sem nome guarda o quarto ângulo. À entrada encontra-se uma estátua em bronze de uma mulher voortrekker com os seus dois filhos. Por cima deles está representado uma wildebeest, símbolo dos perigos que encontraram. Por cima da entrada principal encontra-se a cabeça de um búfalo, considerado o animal mais perigoso quando está ferido. O monumento está rodeado por um muro circular com a representação de 64 vagões puxados por bois, simbolizando a defesa que os voortrekkers organizavam quando se sentiam ameaçados ou atacados.
Não obstante o Monumento e Museu (existente no piso -1) não serem muito populares entre os negros, devido às injustiças do regime do "apartheid" (findado graças à habilidade de Nelson Mandela), é um belo monumento que narra, por meio de interessantes painéis, a colonização do país vista pelo lado dos "Afrikaners" (descendentes dos colonizadores holandeses, que não aceitavam a presença inglesa) e que chegaram a fundar dois estados independentes - o Transvaal e o Estado Livre de Orange.
Um detalhe interessante é que todos os anos, no dia 16 de Dezembro, os "Afrikaners" reúnem-se aqui para celebrar a saga de seus ancestrais, quando o sol penetra por uma abertura no teto e ilumina uma placa comemorativa no centro do monumento.
Voortrekker Monument